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O CEO da Prilux pensa que a recuperação terá a forma do logo da Nike e durará dois ou três anos

Carlos A. Pretel reflectiu sobre como será a volta do sector da iluminação á atividade após o Covid-19

  • O CEO da Prilux assegura que “as entidades públicas devem tomar a iniciativa e empurrar a economía. Se deixam tudo para a iniciativa privada ou colocam obstáculos, será mais complicado e lento”
  • Após a experiência, o gerente concluí que “ não é mais forte quem têm mais músculo se não quem melhor se adapta”

 

Toledo, XX de Abril de 2020.- O Covid-19 já se propagou por 215 países, entre eles Espanha. A OCED (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) prevía em princípios de Março que a economía mundial crescerá a metade do previsto se a crise se prolonga e se agrava. Segundo o informativo Coronavirus: a economía mundial ameaçada, um surto mais intenso e duradouro do virus poderia fazer cair o crescimento da economía mundial até 1,5%, contra os 3,2% do ano passado. Em todos os casos, a resposta dos governos e uma ação coordenada será a chave deste assunto.

Neste cenário, gerentes do sector da iluminação de Espanha participaram num encontro digital com o objetivo de avaliar a situação e reflectir sobre a nova situação económica. Entre eles estava Carlos Alberto Pretel, CEO da Prilux, que destacou que a recuperação “o mais provável é que tenha a forma do logo da Nike. Não obstante, serão necessárias medidas para reactivar a economía, igual às introduzidas para parar. É muito importante que as pesoas se sintam seguras mas também há que ativar estímulos. Se os governos não fazem nada, a recuperação será mais lenta. Não creio que seja em forma de L nem de V, mas, se não existirem medidas, pode durar dois ou três anos”.

Sem dúvida, o Covid-19 mudou o cenário em que vivemos do ponto de vista económico e social. Após o confinamento haverá novos hábitos e costumes que nos vão ficar para sempre como “o teletrabalho ou a prática de lavarmos as maõs constantemente”, assegura Pretel.

“Dentro de uns meses, quando tivermos uma vacina, existirão práticas como a distância pessoal, as máscaras e as luvas. Pois considero que somos mamíferos porque gostámos de nos tocar e ter gestos de afecto. Desejo que isto fique como um pesadelo de que despertámos; ainda que para aqueles que perderam um ente querido, esses não o esquecerão nunca”, acrescenta.

Desde a declaração do estado de alarme em Espanha que se aplicou no sábado día 14 de Março com a publicação do Real Decreto 463/2020, o governo foi pondo em marcha novas medidas tanto sanitárias como económicas. Muitas delas aprovadas nos fins de semana. Isto obrigou a CEOs e gerentes a um trabalho constante, incluíndo sábados e domingos, para estar a par dos novos decretos e poder tomar medidas para as suas empresas.

O nosso sector, salvo nas duas semanas de inactividade em março coincidindo com a Semana Santa, pôde continuar com a sua actividade. Num país como Espanha, o turismo fica com a pior parte pelo peso que têm no PIB. Está a ser muito castigado, não só pelo encerramento dos estabelecimentos mas também, pelas diferentes mensagens que são emitidas pelo governo que não ajudam a que este sector fique tranquilo. Esperámos que brevemente, na fase de reconstrução, juntemos forças e se coloquem em marcha medidas e iniciativas para que todos os sectores, e também o turismo, comecem a funcionar. É necessário! Que deixem de mudar as coisas e que se comecem a construir iniciativas e a comunicá-las a nível nacional, para voltarmos a animar e a sonhar. Para podermos fazer planos à volta disso”, pede o CEO da Prilux.

Após superar os 40 dias de confinamento, as empresas em geral e o sector da iluminação em particular começam a pensar no regresso. “Parece que em Maio conheceremos algumas medidas económicas mais concretas, mas pode ser que até Junho ou Julho não comecem a ter um peso forte. Espera-nos um verão complicado onde todos desejámos recuperar um nível de atividade idêntico ao que tinhamos antes de 14 de Março. Nesta situação, as entidades públicas devem tomar a iniciativa e empurrar a economía. Se deixam tudo para a iniciativa privada ou colocam obstáculos, será mais complicado e lento”, assegura Carlos Alberto Pretel. 

 Carlos Alberto Pretel,CEO de Grupo Prilux Iluminación

O RITMO DISFUNCIONAL DAS RESTANTES ECONOMÍAS MUNDIAIS

As empresas internacionais, como a Prilux, têm a vantagem ou desvantagem de que cada país têm um ritmo e ciclos diferentes. Enquanto a China começou no princípio do ano, na América Latina está a começar agora. “Quando em Janeiro e Fevereiro estavam os problemas na China, estavamos muito preocupados com os fornecimentos mas agora o problema está nas encomendas que esperámos se iniciem o quanto antes possível”.

A isto acresce que “a internacionalização nos dá mais músculo e capacidade porque, ainda que o mundo esteja globalizado, existem países que vão melhor e outros que vão mais lentos. No nosso  caso, ficámos con os mercados mais próximos: em França notou-se uma paragem muito forte, na Europa do Este está a funcionar bastante bem (a virulência do virus está a se mais leve ali), em Portugal foram muito rápidos e estão a funcionar melhor que Espanha, Marrocos também está a funcionar bastante bem… O mercado mais importante para nós continua a ser o espanhol e nota-se  que pouco a pouco vai baixando a atividade, não se iniciam obras novas... Agora mesmo na fábrica estamos ao máximo porque são pedidos que tinhamos em carteira, mas veremos daquí a algumas semanas como vai evoluir e se vão entrando novos pedidos”.

AS MEDIDAS DO GOVERNO E O SECTOR DA ILUMINAÇÃO

Em relação ás iniciativas económicas e tributárias lançadas pelo Governo o gerente da Prilux assegura que muitas eram necessárias  e estavam bem direcionadas, como as linhas de tesousaria através de ICOs mas o estado viu-se ultrapassado pelo volume de pedidos e os fundos não foram  libertados. “As medidas tributárias são necessárias mas ficaram curtas, principalmente se as compararmos com outros países, por exemplo da Europa, onde foram mais eficazes”. Acrescenta  que “tinham que aplicar-se mais medidas”.

Desde a Prilux, Carlos Alberto Pretel defende que a globalização veio para ficar mas progressivamente vamos notar como se estimula a produção local sobretudo nas indústrias básicas. As produções locais vão acelarar e vão chegar para ficar “Certamente, que o ‘made in China’ vai continuar mas sim os paises serão autosuficientes em muitos aspectos”.

No sector da iluminação, “a indústria espanhola deve oferecer inovação, creatividade e valor acrescentado. São produtos muito competitivos mas que não podem competir com os preços da Ásia. Existem clientes para todos. Há quem vá pelo preço e quem procure um valor acrescentado. Há que escutar o cliente e propor-lhe soluções para que os chineses venham depois. Temos que ser nós quem as proponha em primeiro lugar”, afirma o CEO da Prilux.

Como refleção final, Carlos Alberto Pretel afirma que “não é mais forte quem têm mais músculo mas sim quem melhor se adapta. As empresas que se adaptem poderão continuar inclusivamente mais fortes que antes. Aparecerão novos nichos e inclusivamente podemos reinventármo-nos, mas sempre adaptando-nos ao que aí vêm”.